Onírico
A chuva cai em gotas azuis e amarelas. Batem como bombardas na chapa do telhado .A pequena ave multicor circunvaga a vaga quieta e sensível do campanário da igreja torta. O homem deita olhos claros sobre a tarde russa. A aboboda da loja de presentes parece um minarete .Reto e pontudo aponta o céu e a estrela Vésper que não é estrela sendo planeta .É no outono que a coruja nidra .Fica quieta no ninho de papel e celofane . Seus lúgubres pios soterram o silêncio de esqueletos dançando a Dança Macabra. A Rainha de Sabá , morena e careca entra na loja com seu elefante cinza. Parece um estranho objeto cinzento com a probóscida membrana de milhares de fios. É pesadelo menina. É futurismo, menina. A sombra cresce pela cidade , outro espectro ronda a Europa . Silêncio, o enterro segue, com ele vai a minha última quimera , a dona da mão sem anéis nem dedos sopra as velas de mais um aniversário da insana turba que desce o morro que não tem vez. A voz e o ato do cantor bêbado e fanho solta um dó de peito que estraçalha o vidro colorido do vitral da igreja no meio do Te Deum por todas as almas que sairam dos corpos dos que morreram na batalha titânica dos Cíclopes e dos Deuses . Saturno e Réia ,Urano e Fobos. Solitários , dementes uivam para a Lua de papel machê que brilha no firmamento azul cercado de estrelas que são só buracos no saco de estopa em que nos vivemos . O saco sem fundo e sem abertura onde o Sol , a Lua e as estrelas dançam o Balé das Esferas .Vermelho o planeta Marte , rege a orquestra de sapos e de cegonhas na Valsa das Horas de avestruzes e rinocerontes , jacarés e camundongos que aprendem mágicas mas não sabem desfazer . E na Pompa e Circunstância de um Elgar vitoriano deixa a criança deitada na cama coberta com um cobertor azul . Sonha porque sabe que amanhã irá acordar em outro Mundo.
grotius


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